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A migração de famílias para Portugal ainda persiste, porém, a dificuldade em obter habitação impede a sua integração.
No dia 24 de fevereiro de 2023, faz um ano desde que começou a guerra na Ucrânia, que provocou a fuga de muitas famílias para Portugal em busca de segurança e uma vida melhor. Desde então, a procura de casas para arrendar em Portugal tem aumentado significativamente, sendo seis vezes maior em setembro de 2022 em comparação com o mesmo mês em 2021.
No entanto, apesar da disponibilidade do Estado português em fornecer alojamento e outras formas de ajuda, a procura de casas para estas famílias tem sido um desafio e um obstáculo para a sua integração na sociedade portuguesa. Neste artigo, analisamos a situação atual e os desafios que estas famílias enfrentam ao procurar habitação em Portugal.

A fuga das famílias ucranianas
Desde o início da guerra na Ucrânia, milhões de pessoas foram obrigadas a fugir das suas casas, com muitas famílias a escolher Portugal como destino. Em setembro de 2022, a procura de casas para arrendar em Portugal a partir da Ucrânia registou 34 mil visitas, seis vezes mais do que em setembro de 2021. Além disso, foram contabilizadas quase 13 mil visitas a anúncios de casas à venda em Portugal, um aumento de 58% em comparação com setembro do ano anterior.
No entanto, as famílias ucranianas que chegam a Portugal em busca de um lar enfrentam muitos desafios. O acesso à habitação em Portugal é um problema crescente, com o aumento dos preços das casas e do crédito habitação. A procura de habitação é alta em muitas regiões do país, o que torna difícil para estas famílias encontrar uma casa adequada a preços acessíveis.
O acesso à habitação é fundamental para a integração destas famílias na sociedade portuguesa, mas muitas vezes é um obstáculo significativo. Sem um lugar para morar, estas famílias têm dificuldades em encontrar emprego, matricular os seus filhos nas escolas e participar plenamente na vida comunitária.
Os desafios do mercado imobiliário em Portugal
A procura de habitação em Portugal tem sido maior do que a oferta nos últimos anos, o que tem levado a um aumento dos preços das casas e do arrendamento em muitas regiões do país. De acordo com dados de varios jornais portugueses, os preços das casas em Portugal aumentaram 11,5% em 2022, o que representa um aumento significativo em comparação com anos anteriores.
Este aumento dos preços das casas e do arrendamento tem sido impulsionado por vários fatores, incluindo a escassez de oferta, e do aumento da procura.

Quais são os impactos da guerra no mercado imobiliário português?
A verdade é que a invasão russa na Ucrânia afetou todas as famílias que desejam comprar uma casa em Portugal, especialmente as portuguesas, que possuem menor rendimento em comparação às estrangeiras. Isso tornou ainda mais difícil o acesso à habitação devido a vários fatores:
- O poder de compra das famílias diminuiu devido ao aumento da inflação provocada pelo conflito, que gerou uma crise energética sem precedentes e aumentou os preços dos alimentos. Por outro lado, a Europa se conscientizou da necessidade de acelerar a independência energética da Rússia por meio de energias renováveis.
- As casas à venda ficaram mais caras devido ao aumento dos custos de construção.
- Os créditos para habitação passaram a ter as taxas de juros mais altas das últimas décadas, após o Banco Central Europeu (BCE) ter aumentado as taxas de juros diretoras em 300 pontos base desde julho até fevereiro deste ano, uma política monetária que busca conter a alta inflação na Zona Euro.
Os impactos da guerra no mercado imobiliário começaram a ser sentidos apenas no final de 2022 e no início de 2023, com a contração da demanda por casas para compra e a desaceleração do valor concedido em créditos habitacionais, por exemplo. No entanto, qual será a verdadeira dimensão dos efeitos da guerra na Ucrânia nas economias? Espera-se um abrandamento do crescimento econômico na Europa, embora um cenário de recessão esteja, por enquanto, afastado. Agora resta saber quando a inflação irá diminuir para os níveis estáveis de (2%), já que é esse movimento que irá determinar o fim da política monetária mais restritiva dos bancos centrais, que tem efeitos na economia real e no sistema financeiro. Tudo depende de como a guerra na Ucrânia evoluirá, quanto tempo durará o conflito e como a Europa (e o mundo, desde os EUA à China) responderá aos seus impactos.
